sábado, 21 de julho de 2012

Na crista da onda



Triste surpresa para um Dia do Amigo. Só reforça a ideia de vivermos cada dia como se fosse o último, saboreado qual preciosa dádiva cuja repetição jamais sabemos se ocorrerá. Um coração repleto de amizades nem por isso fica invencível. Ninguém foge da inexorável e derradeira lista de chamada, feita por Quem dita o destino de todos nós. Não se pode responder por outro, muito menos fingir não escutar o chamado. De repente, sem respeitar uma sequência lógica, chega a nossa hora. Por mais inesperada e inaceitável, nos obrigamos a responder: Presente! Na infância e na adolescência passamos anos a fio fazendo isso conforme a ordem alfabética. Parecia mais fácil esperar o momento certo e, às vezes, até driblávamos a perspicácia de um ou outro mestre. As coisas então se mostravam muito mais simples no ritmo da rapaziada bem humorada lá no fundo da sala, o pessoal da “cozinha”. Dentre outros, o Tarabini, o Cabral, o Zé Otávio e, a partir de hoje, um saudoso frequentador daquele local. O Paulo Arthur da Costa Ribenboim das chamadas escolares identificávamos como Tuta, o Guru, um hábil surfista. Cabelos longos tal a moda da época ditava, mas divididos do lado como a tribo inspirava. Num grupo muito risonho, ele em especial mantinha um bom humor permanente. Seu sorriso estampado no rosto em tempo integral acolhia melhor quem se aproximasse. Nossa amizade nem foi tão estreita, pois pertencíamos a grupos diferentes, embora estudássemos na mesma turma. Por outro lado, por transitar bem entre todos os clãs, sempre conversei com ele com descontração, pegando a emanação de suas ondas de simpatia serena. Excelente aluno, o Tuta se destacava naquele conjunto. Não sei se fruto de muito esforço ou se pela absorção com maior facilidade das informações nas aulas. A exemplo do Cabral, que não anotava quase nada e se saía muito bem nas provas, o Tuta conseguia sucesso. O fato é que o desempenho deles era acima da média. Depois da formatura no colégio nos distanciamos ainda mais. Há muito morava nos Estados Unidos e quando visitava o Brasil, em geral de férias, aproveitava para reencontrar o pessoal mais ligado nas pranchas, dentre os quais não me incluo. Escolheu para as manobras finais no mar o Trajano, o Marcelo Sertã e o Pecego, que sofreram mais de perto a sua perda e contam com a minha solidariedade. Estivemos juntos pela última vez num jantar de fim de ano no restaurante do Jockey Club. Lá encontrei um Tuta de cabelos curtos grisalhos e de bigode, quase irreconhecível, não fosse o tradicional sorriso escancarado. Atualizamos o papo e falamos de amenidades. Inúmeros os reencontros daquela noite, impedindo a dedicação do tempo exigido para todos os resgates. Mas consegui recuperar na memória um personagem muito interessante. Ele continuava o mesmo, um cara de bem com a vida e transmitindo muita energia positiva. Com certeza tinha seus problemas, todos os temos, mas transparecia um equilíbrio e um estado de espírito em alto astral, daqueles contagiantes. Talvez a minha avaliação menos aproximada me sugerisse algo diferente, porém prefiro ficar com ela. Vou guardar essa imagem do colega agora em busca de ondas melhores. O Grande Arquiteto do Universo reservou para ele essa missão e em algum lugar sua presença se fez mais necessária do que aqui entre nós. Nosso perfil egoísta se ressente da ausência dos que se vão mais pela falta que nos fazem do que por interromperem sua trajetória. A galera do outro lado sem dúvida o recebeu com um caprichado Aloha. Agora deve estar preparando a prancha para se juntar a eles, para remar em novas águas, atrás da onda perfeita, para entrar e sair de espetaculares tubos. Tomara que ele fique amarradão. Para nós, Tuta, você sempre estará na crista da onda. Valeu, parceiro!

domingo, 15 de julho de 2012

Professor Lázaro e a carta




Salvo engano, durante o curso de Engenharia na PUC/RJ, o meu amigo Lázaro era monitor de turma nas aulas de Física I do professor Pierre Lucie. Já se vão quase quarenta anos e não lembro com exatidão do período. Fernando Lázaro Freire Júnior sempre se mostrou um sujeito simples, mesmo quando se destacava como excelente aluno nos tempos do Santo Inácio. Cabelos desalinhados, despojado no trajar, uma personalidade risonha disfarçada pela seriedade carregada de humor sarcástico. O “Boi” é daqueles parceiros distanciados pelo tempo, porém do qual jamais esqueceremos pela grande camaradagem da época de escola. Numa busca recente de velhos documentos, encontrei uma carta do Lázaro remetida de Padova/Itália em 1989. Eu estava nos Correios e ele elogiava o nosso serviço e criticava as dificuldades postais do país onde estava morando. Ainda sem a praticidade da internet, do celular e das demais vantagens oferecidas pela atual tecnologia, a distância e a solidão eram minimizadas pelo hábito da correspondência tradicional, selada e confiada à qualidade dos correios pelo mundo. Guardei com carinho a mensagem elogiosa do amigo e ela resistiu até hoje a várias arrumações. Semana passada, através de um amigo comum, eu soube da aula magistral “Nanotecnologia: uma revolução?”, proferida pelo Professor Lázaro em sua posse como Professor Titular do Departamento de Física da PUC/RJ. Não resta a menor dúvida se tratar de coisa para poucos e que só nos honra como amigos. Para minha sorte, seu extenso currículo incluiu aquela passagem pelo nordeste da Itália, na região do Veneto, numa das mais antigas universidades do mundo. O exílio cultural o estimulou a escrever para mim e aquele pós-pergaminho inspirou esse texto. Ao longo da história a escrita teve, tem e terá esse dom de aproximar as pessoas afastadas, não importa quando nem o canal utilizado. Assim resolvi escrever algo em homenagem ao Lázaro e estender a tantos outros colegas inacianos, além dos demais amigos que fiz em outros locais, cuja quantidade me impede de citar, também ocupantes de funções de destaque na sociedade, cumprindo a missão de melhorar esse mundo em que vivemos. Eles pesquisam temas diversos, desenvolvem novas tecnologias, curam pacientes, compõem músicas, desenham, constroem, decoram, enfim, fazem a vida diferente do que seria sem eles. Pode parecer cabotino escrever meio que em causa própria, mas julgo digna de registro a contribuição dessa parcela especial da sociedade com quem tive a oportunidade de passar momentos felizes da minha juventude. Vivemos juntos dificuldades adolescentes e conflitos naturais de uma idade cheia de rebeldia e de ideias. Percorríamos apressados os corredores, pátios e escadas; corríamos pelos campos e quadras; confrontávamos com a modernidade os antigos quadros de formatura; chegamos a ter como desafio maior escalar o morro nos limites do colégio. As décadas se incumbem de ampliar os desafios e os limites, nos impondo uma percorrida de corredores cada vez mais longos, num enfrentamento árduo com a persistência e o ideário do viço da adolescência. Valeu, Boi, um dos parceiros daquela fase marcante da minha caminhada. Meu respeito, demais ilustres inacianos e outros amigos personificados pelo Professor Lázaro em sua missão nobilíssima de lecionar. Dia desses alguém lembrou Sartre, ao dizer que a arte de viver é ficar o tempo todo se equilibrando entre escolhas e consequências. Sábias palavras.

domingo, 8 de julho de 2012

Sexto sentido

Quantas vezes nos sentimos observados por alguém à distância? Por incrível que pareça, muitas delas estando de costas para o observador. E visões, algumas inclusive premonitórias? Há quem possa fazer isso com uma, por assim dizer, religiosa frequência. Até hoje me recordo de aromas marcantes do passado. Os perfumes usados pelo meu pai no final dos anos sessenta estão vivos em minha memória olfativa. A fragrância do Nau, do Lancaster ou do Avant la fête indicava que ele já estava de saída para o trabalho. E o cheiro de couro da pasta nova no início do ano letivo? Inesquecível. O cheiro de terra molhada, que denominamos cheiro de chuva, o odor de cola de madeira derretida, a simbologia de alguns incensos e outros registros me transportam para momentos específicos da vida. Tanto quanto sons, imagens, sabores e texturas, os sentidos projetam cenas no córtex cerebral. Pesquisadores de áreas inexploradas do cérebro humano se aproximam da existência de um sexto sentido fundamentado em comprovação científica ao invés de traduzido por um dom singular. Alguns deficientes visuais, por exemplo, demonstram uma possibilidade ainda mal esclarecida na identificação de emoções faciais de seus interlocutores. Talvez a justificativa esteja num sistema sensorial subconsciente ligado a uma parte oculta da mente humana. Por outro lado, nosso sistema visual está ligado a nove caminhos diferentes do cérebro e só começamos a entender com perfeição um deles. Os outros oito caminhos podem ser alternativas não mapeadas. Experimentos também conduzem à constatação da transmissão de pensamentos entre as pessoas, fenômeno que em larga escala se chama de inconsciente coletivo. Desde criança me incomodei com a afirmativa de que usamos apenas dez por cento da capacidade cerebral. Quando estendermos isso a parcelas maiores, com certeza nos surpreenderemos com um descortinar de percepções até então inalcançadas. A ciência caminha a passos largos para estreitar nossos laços com descendentes sequer conhecidos, num passe livre na linha do tempo como especulado por Einstein. Dimensões desconhecidas, talvez muito mais próximas do imaginável, aguardam pela nossa visita. As doses de compreensão dos fatos novos precisarão ser mantidas na forma homeopática da evolução das pesquisas, numa progressão compatível com a acomodação das camadas de conhecimento. Nem a vastidão do ultrapassado universo e do atual multiverso será o limite. A título de referência, há quem defenda a inexistência de vida em outros planetas em razão da não confirmação da tese ao longo de tantos anos de busca. Basta imaginarmos um desavisado retirando um copo como amostra da água de um oceano e em seguida atestando inexistir vida marinha pela ausência de indícios naquela insignificante quantidade. Quantos milhões de litros restarão a examinar? Submersos em semelhante mergulho, nos aprofundamos em mares misteriosos onde a massa encefálica flutua quase inexpugnável.  

terça-feira, 26 de junho de 2012

Almas unidas



No caminho dessa vida
nem a morte se explica
por ser a única certeza.
Valoriza cada passo,
mais afeto, mais abraço,
quer mais doce o viver.
Difícil seguir sozinho,
sem alento ou carinho,
isolado pelo destino.
Tudo há no tempo certo,
desde o atalho sendo aberto
às surpresas da estrada.
No frescor mais invasivo,
no calor do corpo-abrigo,
se descobre as respostas.
Dosa o néctar pela gota,
sede morta pela boca,
recupera a essência.
Sonho enfim realizado,
caminhada lado a lado,
união de duas almas.


terça-feira, 19 de junho de 2012

A verdadeira liberdade



Um dos confrontos mais cruciais do ser humano se dá com ele mesmo. A procura pelas opções mais adequadas exige plena autonomia, detendo o controle da situação. Sempre aspirei pela verdadeira liberdade, pelo livre arbítrio, pela autonomia de decisão. Mesmo estando fora da prisão, os homens não podem se considerar tão livres. Há outras formas de aprisionamento, restrições pessoais de ordens diversas, grilhões que pesam na alma e na mente muito mais do que no corpo. A certeza da liberdade vem com as opções independentes, alternativas escolhidas sem a pressão de outros interesses. Precisamos fazer escolhas pela vida inteira, das mais simples às mais complexas. Elas se balizam por circunstâncias diversas, mas em geral sofrem influências externas. Muitos preferem chamar essas interferências de variáveis incontroláveis, embora o controle das decisões jamais deixe de ser de cada um. Inobstante suas consequências, nossos atos nos pertencem de forma indelegável. A coragem de enfrentar os reflexos de nossas atitudes se dimensiona pela independência no rumo a seguir. Em geral as pessoas se submetem a tendências, a padrões, a modismos, a caprichos, a imposições, enfim, a ditames desvinculados de suas necessidades específicas. Fora as demandas estranhas, o ser humano segue fluxos impróprios, atendendo a exigências consumistas ou a equivalências sociais. Em virtude dessas impropriedades, o exercício da individualidade fica relegado ao enésimo plano. Abre-se mão de um destino simples e feliz em busca da angústia de uma existência atribulada, pontuada pelo sofrimento, pelo estresse, pelo querer mais e mais. Não raro há um desequilíbrio quando se chega ao clímax dessa vertiginosa e incessante procura pela felicidade artificial. São os perversos questionamentos após alcançarmos sucessos efêmeros de alto custo humano ou as dores da corrosão de nossa essência depois de tantos resultados positivos em longo prazo. O âmago dessas questões nos remete a porquês sem resposta, a um dilema entre a realização de projetos e a alegria de viver. Quão livres seriam aqueles que pautam suas existências pelo status e pela ilusão? Vivemos para satisfazer análises alheias ou para usufruir a plenitude dos momentos marcantes? Bastante incomum, a certeza de olhar para trás concluindo pelo melhor trajeto se reflete no bem estar, na paz consigo mesmo. Ao contrário, o vazio toma conta daqueles cujos objetivos materiais se concretizaram em detrimento de uma vivência plena com aqueles que amamos. Essa inegociável liberdade se confere aos espíritos mais nobres, dotados de conteúdo valioso sem a opulência dos rebuscados papéis de presente. O seu passado proveitoso e o seu futuro promissor, ambos regidos pela consciência tranquila, têm ainda mais valia. É quando podemos nos considerar efetivamente livres, por gozarmos da verdadeira liberdade.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Dias de eterna duração



Um dia desses me peguei organizando selos antigos que jamais cheguei a retirar dos envelopes em que foram usados. Na verdade eles se somaram a uma coleção que fiz durante a adolescência, herdados de um tio com mais curiosidade do que dotes filatélicos. Décadas se passaram e os selos ficaram esquecidos numa caixa, dentro de um caderno de científico dos anos cinqüenta, pertencente à irmã do juntador das peças. Foi uma viagem diferente separá-los por países que nem existem mais. Numa definição da filatelia levada a sério, os selos são pequenas janelas para o mundo. Total fundamento.
No caso dos selos, em razão da infinidade dos temas existentes, o filatelista precisa escolher aquele ao qual vai se dedicar. O hábito de colecionar requer paciência e meticulosidade. Confesso não possuir essas virtudes. Ainda assim consegui reunir amigos ao longo da vida, preciosa coleção da qual me orgulho muito, sobretudo pela temática diferente de suas características. Por mera coincidência, dias após organizar meus selos, participei de uma reunião com antigos amigos dos Correios. Trabalhei com eles naquela empresa por mais de vinte anos, até sair para a iniciativa privada em 1997. Além da alegria do reencontro, revê-los me faz recordar diversas passagens marcantes, viajando no tempo como ao contemplar os selos.
A empresa das minhas memórias me sugere outra imagem, embora muitos dos personagens fossem os mesmos. Tenho as melhores lembranças dos tempos de ápice dos Correios, então eleita a melhor empresa nacional, num mundo diferente do atual no que se refere às comunicações. Embora as mudanças tecnológicas já começassem a se delinear, a relevância dos serviços era proeminente e a transformação do DCT em empresa moderna garantiu um salto de qualidade. Sem falsa modéstia, tive o privilégio de participar daquele período histórico junto com muitos ecetistas valorosos, ajudando a escrever algumas das páginas mais brilhantes dessa importante organização.
Não caio na armadilha de citar nomes, evitando a injustiça de omitir registros tão relevantes quanto os lembrados. Prefiro homenagear a todos na figura do anfitrião desse reencontro, meu grande amigo Jarbas. Esse excepcional ser humano, que através dos Correios tive a oportunidade de conhecer, me fez o generoso convite para estar com gente tão querida. A hospitalidade extremada dos donos da casa e o carinho de todos os presentes emolduraram um quadro inesquecível na parede das minhas recordações. As informações trocadas com avidez preservarei vivas num arquivo especial da minha mente. Num pedaço de paraíso encravado na montanha, num ambiente leve e descontraído, a prosa correu solta e as horas não foram razoáveis, nos dando a ilusão de passarem rápido demais. Se a vida se faz de instantes, dias assim deveriam ter eterna duração. Estou certo que tenham sob outra perspectiva.

domingo, 3 de junho de 2012

A fábula do gongolo





Gongolo: Pequeno miriápode que se enrola quando lhe tocam. O mesmo que bicho-de-conta ou piolho-de-cobra.

Era uma vez um gongolo individualista, habitante de uma floresta tropical na qual dividia espaço com outros invertebrados, vertebrados, árvores, flores e plantas em geral. Aliás, essa era das raras divisões feitas pelo gongolo, a exemplo da amargura e dos problemas. À alegria, à felicidade, ao bem-estar não se mostrava disposto a concessões, entendendo se tratarem de porções pessoais e indivisíveis. Assim, se recusava a demonstrar solidariedade, espírito de grupo e de compartilhamento. Preferia desfrutar desses aspectos de forma individual e intransferível. Todos, salvo uma e outra exceção confirmando a regra, discordavam do gongolo. Mudava seu percurso pelas trilhas da mata, mas seu comportamento peculiar permanecia atraindo a crítica dos demais. Entretanto, ele se mantinha irredutível, por considerar correta sua maneira de ver a vida e entender equivocada a visão de todos os outros. Com o passar do tempo o gongolo passou a se sentir cada vez mais isolado, pois os grupos mais diversos promoviam reuniões sem contar com a sua presença. Até só lhe restar o espelho da toca. Arraigado a seus princípios, o gongolo sequer admitia partilhar os melhores momentos de sua existência com o reflexo da própria imagem. Passou a evitar o espelho também. Eis que surge uma época de terrível e inesperada seca na floresta, privando a todos do habitual provimento abastado. Ninguém, inclusive o gongolo, conseguia encontrar o indispensável para a própria subsistência. Em circunstâncias de tamanha escassez, houve imperativa necessidade de juntarem esforços para o recolhimento de víveres. Consolidadas as porções obtidas por cada um, uns mais outros menos diante das dificuldades, o resultado era repartido de acordo com a demanda individual. A partilha das cotas reunidas com sacrifício geral se dava inobstante as preferências particulares da borboleta, da aranha, do gafanhoto, da centopéia, da libélula, enfim, de todos. O obtido pelo grupo era indistintamente distribuído até que cada indivíduo dispusesse da mesma porção minimamente satisfatória. Somente tal compartilhamento poderia salvar o ecossistema. Não dispondo de alternativa para a sobrevivência, em razão dos dias de abundância serem sucedidos por jornadas de carestia, o gongolo precisou rever seu ponto de vista. Forçado pela contingência mudou a filosofia de vida e passou a se comportar de forma partícipe e solidária. Mesmo após normalizada a situação, superado o período de privação, o gongolo se manteve integrado aos princípios de coletividade. Desde então jamais deixou de ser lembrado em todas as reuniões da floresta. Nelas se tornou uma das mais simpáticas e bem-vindas presenças, pelo extremado espírito de grupo, pelo companheirismo e pelo temperamento afável.  E se diz que naquela floresta todos viveram felizes para sempre.