Podem diser que sou purista ou romântico. Estou me sentindo cada vez mais uma peça de antiquário. Sou do tempo em que jogos da seleção brasileira de futebol eram um compromisso obrigatório de qualquer torcedor. Quando ainda não se transmitia com tanta freqüência pela TV, procurávamos um rádio onde fosse possível acompanhar os lances da partida. A camisa amarela era sinônimo de uma idolatria saudável e vitoriosa de todos os amantes do futebol.
Hoje as coisas mudaram muito e a CBF transformou o futebol brasileiro num balcão de negócios pelo mundo, prostituindo a marca de tal forma que tem gente que às vezes nem sabe que há jogo disputado pelos brasucas. Aliás, nem sei se podemos chamá-los assim, diante da pouca identificação com o país, com o povo e com a simbologia do futebol tupiniquim. Os expatriados do esporte nacional nem de longe lembram os meus ídolos do passado, mesmo aqueles em ação naquela época nas ligas estrangeiras.
O melhor exemplo da globalização contaminada do violento esporte bretão se encontra nos jogadores nascidos no Brasil que optam pela nacionalidade de outro país, onde defendem outros selecionados. As tênues regras da FIFA ajudaram a ridicularizar as raízes dos atletas. Hoje estão descaracterizadas as escalações mundo afora, seja pelo perfil da raça, pelo nome ou pelo idioma falado pelos atletas convocados. Na trajetória das câmeras pelos jogadores perfilados no momento da execução do hino, podemos facilmente reconhecer quem é quem.
Após a bola rolar, agora o time com a amarelinha parece o dos adversários de antigamente, com jogadores de cintura dura, aqueles aos quais o Nelson Rodrigues atribuía o apelido “saúde de vaca premiada”. A arte requintada nas obras primas com a bola, o finesse no trato rebuscado com a redonda, ficaram na memória dos mais velhos, inclusive eu. Nos dias de hoje, não raro nos flagramos aplaudindo mais os que vestem outras camisas, bem como exaltamos as revelações mundiais nascidas aqui e exportadas ou cujos pais jogaram na seleção brasileira ou em clubes do Brasil.
Trata-se de um incômodo fenômeno, palavra que preferíamos usar no apelido de um dos últimos dignos representantes da casta de craques nacionais, o Ronaldo. Com ele vivemos do passado, às vezes do passado presente, caso do Ronaldinho Gaúcho, eleito o melhor do mundo mais de uma vez e hoje jogando por aqui. O resumo dessa ópera bufa se viu no Alemanha 3 x 2 Brasil de ontem. Eu não assisti, tal qual milhões de brasileiros. Mas o prestígio do futebol brasileiro assistiu de cabeça baixa e envergonhado.
A camisa “amarelinha” está se acostumando à derrota na mesma velocidade em que muda o figurino e se assemelha a outras por exigência do fabricante multinacional. Enquanto isso, no selecionado alemão há turcos, poloneses e um brasileiro, o paulista Cacau, cuja nacionalidade é indiscutível. Também soube hoje que estreou pela Espanha um menino muito bom de bola chamado Thiago, filho do Mazinho, ex- integrante do time canarinho tetracampeão em 1994. O Thiago foi o 35º jogador estrangeiro convocado para uma seleção espanhola. Estranho, muito estranho, esse mundo globalizado, no qual a FIFA e a CBF são tão ricas e o futebol tão pobre.
A camisa da seleção canarinho que tanto nos alegrou virou artigo retrô. O futebol praticado pelos nossos compatriotas, idem. Tudo está muito mudado. Nós também. Em homenagem à perfeição dos áureos tempos, já escolhi o nome do antiquário onde vou morar: Pretérito Perfeito.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
terça-feira, 9 de agosto de 2011
As gravatas de rapina
Crise no mundo globalizado. A economia mais uma vez sacode o planeta e as pessoas estão meio que espantadas, muitas preocupadas, outras buscando informações e outras tantas insensíveis. É difícil distribuir a população brasileira nesses extratos, porque há os que acompanham até a inflação na China e os que sequer se interessam pelo noticiário sombrio dos números. Enquanto alguns acordam menos ricos e de olho no comportamento das bolsas asiáticas, milhões se limitam aos sacrifícios rotineiros do transporte ruim para o trabalho.
Não importa o que pensem, todos de alguma forma estão ou estarão envolvidos nesse episódio em algum momento. Não se restringe a questão a um possível retorno a outra faixa de milhares atuais ocupantes da classe média. Espera-se uma condução equilibrada e atenta do governo em relação aos impactos desse tsunami nas finanças mundiais. Esses fenômenos monetários nos agridem mais do que os da natureza, dos quais estamos imunes a maior parte do tempo. Exceto, claro, quando as autoridades tratam com descaso as ocupações irregulares de encostas e terrenos sob risco, ocasionando tragédias desnecessárias.
Do ponto de vista cidadão, sempre que esses tremores nos surpreendem vemo-nos obrigados a repensar o planejamento pessoal. Apertamos o cinto pensando nas possíveis conseqüências dos fatos anunciados e passamos a um regime mais austero, se ainda há espaço para isso. Aqueles que vivem no fio da navalha, por assim dizer, nada podem fazer senão se manter acima da linha da água, lutando as batalhas diárias nas escaramuças da sobrevivência. Mesmo com as providências tomadas, até as divinas, a maioria fica ao sabor da borrasca. Na viagem no mar aberto da economia mundial, os ocupantes de embarcações mais sofisticadas estão mais protegidos, ainda que percam algum conforto. Os que fazem os destroços de bóia sofrem muito mais, muitas vezes sem sentir mudança, acostumados com o sol inclemente e as ondas agressivas.
Chamam a atenção os insensíveis, os inatingíveis que manipulam com o dinheiro alheio, sem correr riscos maiores, com exceção de ganhar menos numa ou outra operação. Ao contrário, muitos se aproveitam desses desequilíbrios para enriquecerem ainda mais, às custas dos incautos e dos infelizes. São os transformadores da crise em oportunidade, não necessariamente os empreendedores do exemplar ideograma chinês, mas os abutres que se alimentam da desgraça de terceiros. Basta um olhar mais detalhista, uma visão mais perspicaz para identificarmos esses facínoras, bastante conhecidos. Seus sorrisos satisfeitos contrastam com a apreensão geral, a não ser quando interpretam o papel de circunspectos apenas para jogar para a torcida.
Portanto, meus caros, independentemente do segmento em que estejam, olho vivo! Há alguém desejando lhe enganar, esperando só a ocasião mais oportuna para dar o bote. Não se iludam com o trajar requintado, nem com o discurso envolvente, nem com os eventos grandiosos. Uma gravata de rapina se reconhece com facilidade. Aliás, presentes em vários setores, muitas são bem antigas.
Não importa o que pensem, todos de alguma forma estão ou estarão envolvidos nesse episódio em algum momento. Não se restringe a questão a um possível retorno a outra faixa de milhares atuais ocupantes da classe média. Espera-se uma condução equilibrada e atenta do governo em relação aos impactos desse tsunami nas finanças mundiais. Esses fenômenos monetários nos agridem mais do que os da natureza, dos quais estamos imunes a maior parte do tempo. Exceto, claro, quando as autoridades tratam com descaso as ocupações irregulares de encostas e terrenos sob risco, ocasionando tragédias desnecessárias.
Do ponto de vista cidadão, sempre que esses tremores nos surpreendem vemo-nos obrigados a repensar o planejamento pessoal. Apertamos o cinto pensando nas possíveis conseqüências dos fatos anunciados e passamos a um regime mais austero, se ainda há espaço para isso. Aqueles que vivem no fio da navalha, por assim dizer, nada podem fazer senão se manter acima da linha da água, lutando as batalhas diárias nas escaramuças da sobrevivência. Mesmo com as providências tomadas, até as divinas, a maioria fica ao sabor da borrasca. Na viagem no mar aberto da economia mundial, os ocupantes de embarcações mais sofisticadas estão mais protegidos, ainda que percam algum conforto. Os que fazem os destroços de bóia sofrem muito mais, muitas vezes sem sentir mudança, acostumados com o sol inclemente e as ondas agressivas.
Chamam a atenção os insensíveis, os inatingíveis que manipulam com o dinheiro alheio, sem correr riscos maiores, com exceção de ganhar menos numa ou outra operação. Ao contrário, muitos se aproveitam desses desequilíbrios para enriquecerem ainda mais, às custas dos incautos e dos infelizes. São os transformadores da crise em oportunidade, não necessariamente os empreendedores do exemplar ideograma chinês, mas os abutres que se alimentam da desgraça de terceiros. Basta um olhar mais detalhista, uma visão mais perspicaz para identificarmos esses facínoras, bastante conhecidos. Seus sorrisos satisfeitos contrastam com a apreensão geral, a não ser quando interpretam o papel de circunspectos apenas para jogar para a torcida.
Portanto, meus caros, independentemente do segmento em que estejam, olho vivo! Há alguém desejando lhe enganar, esperando só a ocasião mais oportuna para dar o bote. Não se iludam com o trajar requintado, nem com o discurso envolvente, nem com os eventos grandiosos. Uma gravata de rapina se reconhece com facilidade. Aliás, presentes em vários setores, muitas são bem antigas.
domingo, 7 de agosto de 2011
Curiosidades
É costume se ouvir expressões que aparentemente não fazem muito sentido. A história traz surpresas reveladas pela sabedoria popular e hoje vamos falar um pouco delas. Quem já andou pela Zona Oeste do Rio de Janeiro, no acesso a Guaratiba deve ter se deparado com indicações à Ilha de Guaratiba. E todos se espantam em chegar ao local e não conseguirem encontrar ilha alguma. Por que então se chama a região de Ilha de Guaratiba? Ocorre que quando aquela área foi demarcada, o dono de toda a região era um inglês de nome William. Os moradores locais não conseguiam pronunciar William e passaram a chamá-lo de “ilha”, denominação que se estendeu aos domínios do britânico e perdura até hoje. Assim, a Ilha de Guaratiba na verdade é o William de Guaratiba.
Outra definição sem lógica é a criança ter “bicho carpinteiro”. Basta que o pequeno seja mais agitado que alguém diz que ele está com “bicho carpinteiro”. Mas que tipo de animal teria essa virtude de trabalhar com madeira? Um inseto da família dos cupins ou um roedor da linhagem do castor? Que ramo da zoologia responderia a dúvida? O que viria a ser isso? Na verdade a ideia é a de se traduzir a inquietação infantil pelo fato dela possuir “bicho pelo corpo inteiro”. Com o tempo as palavras se fundiram e o bicho pelo corpo inteiro virou bicho carpinteiro.
E quem ainda não ouviu que o menino é tão parecido com o pai que é o dito cujo “cuspido e escarrado”. Trata-se de algo escatológico, de interpretação ilógica, cujo sentido precisou de uma pesquisa mais aprofundada. Após algumas verificações se chegou à conclusão que o linguajar popular alterara bastante a frase original. A semelhança entre duas pessoas usava a perfeição do padrão das antigas esculturas italianas. Assim, quando alguém se parecia muito com outro se traduzia a identidade como “esculpido em Carrara”, numa referência ao mármore famoso daquela cidade da Itália. O tempo passou e o “esculpido em Carrara” sofreu a metamorfose para “cuspido e escarrado”.
E a inesquecível música de Gilberto Gil, “Aquele abraço”, que se refere a Realengo, bairro do Rio de Janeiro, saberia explicar a origem do nome desse subúrbio carioca? Como surgiu uma palavra tão diferente? A explicação é muito simples e vem do período do Império. Naquela época o Rio era dividido em Engenhos cuja denominação era a mais variada possível. Engenho da Rainha, Engenho de Dentro, Engenho Novo, Engenho Velho, Real Engenho. Quando os bondes tomaram conta da cidade, a descrição do bairro no letreiro do transporte precisou ser abreviada. Reduziu-se Real Engenho a Real Engº. O povo começou a ler tudo junto e o resultado foi Realengo. Pronto, foi o suficiente para o bairro mudar de nome.
Há muitas outras curiosidades do mesmo nível. Mas o espaço do blog não permite discorrer sobre todos.
Outra definição sem lógica é a criança ter “bicho carpinteiro”. Basta que o pequeno seja mais agitado que alguém diz que ele está com “bicho carpinteiro”. Mas que tipo de animal teria essa virtude de trabalhar com madeira? Um inseto da família dos cupins ou um roedor da linhagem do castor? Que ramo da zoologia responderia a dúvida? O que viria a ser isso? Na verdade a ideia é a de se traduzir a inquietação infantil pelo fato dela possuir “bicho pelo corpo inteiro”. Com o tempo as palavras se fundiram e o bicho pelo corpo inteiro virou bicho carpinteiro.
E quem ainda não ouviu que o menino é tão parecido com o pai que é o dito cujo “cuspido e escarrado”. Trata-se de algo escatológico, de interpretação ilógica, cujo sentido precisou de uma pesquisa mais aprofundada. Após algumas verificações se chegou à conclusão que o linguajar popular alterara bastante a frase original. A semelhança entre duas pessoas usava a perfeição do padrão das antigas esculturas italianas. Assim, quando alguém se parecia muito com outro se traduzia a identidade como “esculpido em Carrara”, numa referência ao mármore famoso daquela cidade da Itália. O tempo passou e o “esculpido em Carrara” sofreu a metamorfose para “cuspido e escarrado”.
E a inesquecível música de Gilberto Gil, “Aquele abraço”, que se refere a Realengo, bairro do Rio de Janeiro, saberia explicar a origem do nome desse subúrbio carioca? Como surgiu uma palavra tão diferente? A explicação é muito simples e vem do período do Império. Naquela época o Rio era dividido em Engenhos cuja denominação era a mais variada possível. Engenho da Rainha, Engenho de Dentro, Engenho Novo, Engenho Velho, Real Engenho. Quando os bondes tomaram conta da cidade, a descrição do bairro no letreiro do transporte precisou ser abreviada. Reduziu-se Real Engenho a Real Engº. O povo começou a ler tudo junto e o resultado foi Realengo. Pronto, foi o suficiente para o bairro mudar de nome.
Há muitas outras curiosidades do mesmo nível. Mas o espaço do blog não permite discorrer sobre todos.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Amigos
Amigo, refúgio para as dores do corpo e do espírito, em especial essas últimas. Não me queixo da sorte, pois fiz grandes e muitos amigos ao longo da vida. Transitei em ambientes os mais diversos, por origem, residência, formação escolar e dever de ofício. Em todos eles me relacionei com a heterogeneidade do ser humano, misterioso cadinho de nossas dessemelhanças. A natureza humana consegue nos fazer ao mesmo tempo tão iguais e tão diferentes, criando fatores que nos aproximam e nos distanciam dos demais, umas épocas mais outras menos.
Tenho muito orgulho das amizades sólidas construídas em minha caminhada por lugares realmente díspares, desde o local humilde onde nasci, passando pelo seleto grupo das escolas que frequentei, mais tarde encontrando a miscigenada reunião de parceiros da idade pós-adulta e finalmente nos corredores empresariais. Conheci e me aproximei de nobilíssimas pessoas no decorrer da existência. Com elas aprendi demais, numa permuta de experiências muito ricas, amalgamando a minha essência.
Um texto limitado por caracteres e pela paciência de quem lê não faria justiça à legião de parceiros e de parceiras que dividiram, dividem e dividirão suas histórias comigo. Obviamente, com eles desfrutei da melhor maneira dos bons momentos, neles me apoiei e soube apoiar nas incontornáveis agruras. Juntos vencemos pequenos e enormes desafios, mesmo quando a ausência de um ou outro desfalcou a união de esforços. Na impossibilidade da presença física, nos completamos mental e espiritualmente, através do aprendizado, da lembrança, do mútuo saber adquirido.
O verdadeiro amigo configura uma escolha de muitos e complexos quesitos, mas requer poucas e singelas explicações. Um deles uma vez me disse, da forma mais incontestável e convincente possível, ser capaz de me dar um de seus braços se eu necessitasse. E ele não falava no sentido figurado, mas tratava da disponibilização de parte do seu corpo. Jamais me esquecerei disso, a mais consistente demonstração de um laço de fraternidade não consanguínea que tive. Generosamente aquinhoado, recebi muitas outras traduções de identificação dessas importantes almas próximas de nós, algumas eu diria gêmeas até.
Há uns quinze dias recebi ligação telefônica de um deles. Ele e sua mulher meus companheiros de longa data, da mais tenra infância. Eles nos convidavam para conhecer a sua nova casa, confirmando uma sinalização feita anteriormente e já ajustada com outras pessoas. Por razões alheias à minha vontade, bastante justificáveis, minha esposa não estava em condições de atender ao convite. Diante da impossibilidade, me desculpei pela ausência forçada. Ao que ele respondeu com o adiamento da reunião, sob a alegação de que não consideraria completo o seu círculo sem que estivéssemos presentes. Pode parecer uma atitude inesperada ou sensata, dependendo do ponto de vista. Entenda-se como for, tocou-nos bastante.
Hoje lá estaremos, minha mulher e eu, felizes e recompensados por uma atitude tão simbólica quanto os beijos, os abraços demorados e os apertos de mãos que autenticam mais um reencontro de destinos. A sinceridade de um gesto simples esconde o poder da modificação de ânimo de quem o recebe. Somos muito mais importantes do que os problemas que nos afligem, mais poderosos do que as eventualidades, mais curativos do que a droga de maior eficácia. Apenas ainda não temos a noção precisa dessa força, oculta em neurônios subutilizados. Enquanto a ciência não desvenda o mistério das inexploradas conexões cerebrais, somos conectados pelos amigos, de mesmo sangue ou não. A genética nos faz parentes. A vivência nos faz amigos.
Tenho muito orgulho das amizades sólidas construídas em minha caminhada por lugares realmente díspares, desde o local humilde onde nasci, passando pelo seleto grupo das escolas que frequentei, mais tarde encontrando a miscigenada reunião de parceiros da idade pós-adulta e finalmente nos corredores empresariais. Conheci e me aproximei de nobilíssimas pessoas no decorrer da existência. Com elas aprendi demais, numa permuta de experiências muito ricas, amalgamando a minha essência.
Um texto limitado por caracteres e pela paciência de quem lê não faria justiça à legião de parceiros e de parceiras que dividiram, dividem e dividirão suas histórias comigo. Obviamente, com eles desfrutei da melhor maneira dos bons momentos, neles me apoiei e soube apoiar nas incontornáveis agruras. Juntos vencemos pequenos e enormes desafios, mesmo quando a ausência de um ou outro desfalcou a união de esforços. Na impossibilidade da presença física, nos completamos mental e espiritualmente, através do aprendizado, da lembrança, do mútuo saber adquirido.
O verdadeiro amigo configura uma escolha de muitos e complexos quesitos, mas requer poucas e singelas explicações. Um deles uma vez me disse, da forma mais incontestável e convincente possível, ser capaz de me dar um de seus braços se eu necessitasse. E ele não falava no sentido figurado, mas tratava da disponibilização de parte do seu corpo. Jamais me esquecerei disso, a mais consistente demonstração de um laço de fraternidade não consanguínea que tive. Generosamente aquinhoado, recebi muitas outras traduções de identificação dessas importantes almas próximas de nós, algumas eu diria gêmeas até.
Há uns quinze dias recebi ligação telefônica de um deles. Ele e sua mulher meus companheiros de longa data, da mais tenra infância. Eles nos convidavam para conhecer a sua nova casa, confirmando uma sinalização feita anteriormente e já ajustada com outras pessoas. Por razões alheias à minha vontade, bastante justificáveis, minha esposa não estava em condições de atender ao convite. Diante da impossibilidade, me desculpei pela ausência forçada. Ao que ele respondeu com o adiamento da reunião, sob a alegação de que não consideraria completo o seu círculo sem que estivéssemos presentes. Pode parecer uma atitude inesperada ou sensata, dependendo do ponto de vista. Entenda-se como for, tocou-nos bastante.
Hoje lá estaremos, minha mulher e eu, felizes e recompensados por uma atitude tão simbólica quanto os beijos, os abraços demorados e os apertos de mãos que autenticam mais um reencontro de destinos. A sinceridade de um gesto simples esconde o poder da modificação de ânimo de quem o recebe. Somos muito mais importantes do que os problemas que nos afligem, mais poderosos do que as eventualidades, mais curativos do que a droga de maior eficácia. Apenas ainda não temos a noção precisa dessa força, oculta em neurônios subutilizados. Enquanto a ciência não desvenda o mistério das inexploradas conexões cerebrais, somos conectados pelos amigos, de mesmo sangue ou não. A genética nos faz parentes. A vivência nos faz amigos.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Marcas de batom no espelho do banheiro
A história é tão interessante que resolvi reproduzi-la aqui no blog:
Numa escola pública estava ocorrendo uma situação inusitada: meninas de 12 anos que usavam batom, todos os dias beijavam o espelho para remover o excesso de batom.
O diretor andava bastante aborrecido, porque o zelador tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao final do dia. Mas, como sempre, na tarde seguinte lá estavam as mesmas marcas...
Um dia o diretor juntou as meninas no banheiro e explicou pacientemente que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas de batom que elas faziam. Fez uma palestra de uma hora.
No dia seguinte as marcas de batom no banheiro reapareceram...
No outro dia, o diretor juntou as meninas e o zelador no banheiro, pedindo ao zelador para demonstrar a dificuldade do trabalho. O zelador, imediatamente e com luvas, pegou um pano, mergulhou-o no vaso sanitário e em seguida o esfregou no espelho.
Nunca mais apareceram marcas no espelho!
Moral da história:
→ Há professores e há educadores...
→ Comunicar é sempre um desafio!
→ Às vezes, precisamos usar métodos diferentes para alcançar certos resultados.
Por que?
→ Porque a bondade que nunca repreende não é bondade: é passividade.
→ Porque a paciência que nunca se esgota não é paciência: é subserviência.
→ Porque a serenidade que nunca se desmancha não é serenidade: é indiferença.
→ Porque a tolerância que nunca replica não é tolerância: é imbecilidade.
"O saber se aprende com os mestres e os livros. A sabedoria se aprende com a vida"
Numa escola pública estava ocorrendo uma situação inusitada: meninas de 12 anos que usavam batom, todos os dias beijavam o espelho para remover o excesso de batom.
O diretor andava bastante aborrecido, porque o zelador tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao final do dia. Mas, como sempre, na tarde seguinte lá estavam as mesmas marcas...
Um dia o diretor juntou as meninas no banheiro e explicou pacientemente que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas de batom que elas faziam. Fez uma palestra de uma hora.
No dia seguinte as marcas de batom no banheiro reapareceram...
No outro dia, o diretor juntou as meninas e o zelador no banheiro, pedindo ao zelador para demonstrar a dificuldade do trabalho. O zelador, imediatamente e com luvas, pegou um pano, mergulhou-o no vaso sanitário e em seguida o esfregou no espelho.
Nunca mais apareceram marcas no espelho!
Moral da história:
→ Há professores e há educadores...
→ Comunicar é sempre um desafio!
→ Às vezes, precisamos usar métodos diferentes para alcançar certos resultados.
Por que?
→ Porque a bondade que nunca repreende não é bondade: é passividade.
→ Porque a paciência que nunca se esgota não é paciência: é subserviência.
→ Porque a serenidade que nunca se desmancha não é serenidade: é indiferença.
→ Porque a tolerância que nunca replica não é tolerância: é imbecilidade.
"O saber se aprende com os mestres e os livros. A sabedoria se aprende com a vida"
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
O contribuinte-capacho
Cada vez mais me sinto usurpado como contribuinte. Insisto no assunto na esperança de conseguir outros insatisfeitos e/ou indignados com os quais cerrarei fileiras um dia. Talvez consigamos mudar alguma coisa nas próximas décadas e eu ainda veja, antes de morrer, uma situação melhor do que vivi até hoje. Meu assunto hoje é o Detran/RJ.
No início de maio precisei agendar uma vistoria para um veículo, com o objetivo de uma transferência de propriedade e de estado de origem, Minas Gerais. A data mais cedo que me ofereceram foi 03/08/2011, ou seja, três meses de espera. Ainda que inconformado com o prazo, fui orientado sobre os documentos necessários e os respectivos DUDAs, documentos de arrecadação, a serem pagos, num total de quase R$ 340,00. A informação sobre os documentos foi diferente entre a consulta que fiz e a passada a outra pessoa, que ligara a meu pedido. Assim, resolvi ir até ao edifício-sede do órgão. Lá, fui mal atendido por uma pessoa que tentou se desvencilhar da pergunta sugerindo que eu tirasse esse tipo de dúvida no Posto de Vistoria. Evidentemente, em razão de me acautelar procedendo dessa forma, expliquei que gostaria de chegar ao Posto com a certeza dos documentos corretos. Um pouco a contragosto, a pessoa me prestou os esclarecimentos.
Hoje, cheguei ao Posto de Vistoria às 7:25, me antecipando ao horário agendado das 8:00. Numa rua estreita, já havia uma fila com dois veículos tumultuando o trânsito e preferi encostar meu carro rente ao meio-fio. Fui até o portão do Posto e perguntei sobre a fila. O segurança sugeriu que eu entrasse na mesma e eu nem perdi meu tempo de contestá-lo, pois um ônibus naquele momento quase não conseguiu passar pelo local em razão da semi-obstrução da via. Esperei pela abertura ao público, o que ocorreu às 8:00 em ponto. Ao entrarmos me deparei com um local bastante amplo, o que me fez questionar a mim mesmo por que os veículos não poderiam aguardar numa fila lá dentro, se já havia quem pudesse organizá-la.
Enfim, um primeiro atendimento me indicou o local onde a vistoria seria levada a efeito. Lá chegando não havia ninguém. Após aguardar por vinte minutos, um funcionário se apresentou para me atender. Executadas as verificações e testes no meu carro, eram 9:10 e o próximo passo era me dirigir à Cabine 3. Na tal cabine já aguardavam umas oito pessoas. Voltei e indaguei quanto tempo estaria previsto para a conferência, a liberação do novo documento e das placas. Obtive como resposta que em torno de 20 minutos. Acreditei, em especial após descobrir que o informante era nada mais nada menos que o responsável por aquela unidade. Meu carro foi emplacado e só saí daquela tortura às 11:50, assim mesmo depois de implorar ajuda e de me mostrar impaciente, então recebendo uma atenção melhor.
Por que pagamos impostos altíssimos, além deles uma série de taxas exorbitantes, e somos tratados como capachos? É razoável ser submetido a tal constrangimento, passando quase cinco horas para obter um serviço? Em plena ditadura da informática não seria possível maior agilidade no atendimento? Ou vai aparecer alguém alegando já ter sido pior? Devemos relaxar e aproveitar, como de praxe?
No início de maio precisei agendar uma vistoria para um veículo, com o objetivo de uma transferência de propriedade e de estado de origem, Minas Gerais. A data mais cedo que me ofereceram foi 03/08/2011, ou seja, três meses de espera. Ainda que inconformado com o prazo, fui orientado sobre os documentos necessários e os respectivos DUDAs, documentos de arrecadação, a serem pagos, num total de quase R$ 340,00. A informação sobre os documentos foi diferente entre a consulta que fiz e a passada a outra pessoa, que ligara a meu pedido. Assim, resolvi ir até ao edifício-sede do órgão. Lá, fui mal atendido por uma pessoa que tentou se desvencilhar da pergunta sugerindo que eu tirasse esse tipo de dúvida no Posto de Vistoria. Evidentemente, em razão de me acautelar procedendo dessa forma, expliquei que gostaria de chegar ao Posto com a certeza dos documentos corretos. Um pouco a contragosto, a pessoa me prestou os esclarecimentos.
Hoje, cheguei ao Posto de Vistoria às 7:25, me antecipando ao horário agendado das 8:00. Numa rua estreita, já havia uma fila com dois veículos tumultuando o trânsito e preferi encostar meu carro rente ao meio-fio. Fui até o portão do Posto e perguntei sobre a fila. O segurança sugeriu que eu entrasse na mesma e eu nem perdi meu tempo de contestá-lo, pois um ônibus naquele momento quase não conseguiu passar pelo local em razão da semi-obstrução da via. Esperei pela abertura ao público, o que ocorreu às 8:00 em ponto. Ao entrarmos me deparei com um local bastante amplo, o que me fez questionar a mim mesmo por que os veículos não poderiam aguardar numa fila lá dentro, se já havia quem pudesse organizá-la.
Enfim, um primeiro atendimento me indicou o local onde a vistoria seria levada a efeito. Lá chegando não havia ninguém. Após aguardar por vinte minutos, um funcionário se apresentou para me atender. Executadas as verificações e testes no meu carro, eram 9:10 e o próximo passo era me dirigir à Cabine 3. Na tal cabine já aguardavam umas oito pessoas. Voltei e indaguei quanto tempo estaria previsto para a conferência, a liberação do novo documento e das placas. Obtive como resposta que em torno de 20 minutos. Acreditei, em especial após descobrir que o informante era nada mais nada menos que o responsável por aquela unidade. Meu carro foi emplacado e só saí daquela tortura às 11:50, assim mesmo depois de implorar ajuda e de me mostrar impaciente, então recebendo uma atenção melhor.
Por que pagamos impostos altíssimos, além deles uma série de taxas exorbitantes, e somos tratados como capachos? É razoável ser submetido a tal constrangimento, passando quase cinco horas para obter um serviço? Em plena ditadura da informática não seria possível maior agilidade no atendimento? Ou vai aparecer alguém alegando já ter sido pior? Devemos relaxar e aproveitar, como de praxe?
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Os festeiros
Quanto custaria uma creche, uma escola, equipamentos de exames de imagem para todos os hospitais municipais e estaduais que reclamam não possuí-los, novos carros para a segurança pública, um lote de casas populares para os desabrigados? Não tenho esses números, mas imagino que os responsáveis pelos respectivos setores da administração pública devem conhecê-los. Ou deveriam dispor deles em seus equipamentos de última geração custeados pelo governo, em seus gabinetes refrigerados pelo governo, com os salários pagos pelo governo. Ao governo subsidiamos nós, os contribuintes, intrépidos e fagueiros responsáveis por pagar as contas, colaboradores desde a primeira hora, quando são registrados nas moderníssimas urnas eletrônicas os desejados votos que elegem nossos mandatários.
Rapidamente caem no esquecimento os tempos da ribalta eleitoral, quando os candidatos procuram desempenhar com o máximo de seu talento teatral o papel de bons moços, prometendo mundos e fundos, assumindo compromissos sociais. É o momento do beijo nas crianças carentes e nas mulheres grávidas, do abraço nos idosos doentes, do aperto de mão em cada trabalhador que paga impostos e elege um sonho. Os interesses são maiores, os acordos foram feitos e a conta precisa ser paga. Ninguém se elege sem apoio de empreiteiros, empresários e tantas outras grandes personalidades, algumas até mundiais. Esse negócio de contribuinte e de eleitor sempre será apenas protocolar, servindo exclusivamente para legitimar o mandato. Assim que funciona.
Então, a grande badalação do último fim de semana aqui no Rio foi o show espetacular da FIFA custeado pelos impostos cariocas, uma vez que integralmente pago pela Prefeitura da Cidade e pelo Governo do Estado, não sei em que proporções. Ainda bem que o preço módico justificou o investimento. Pelo nível das atrações e pelo vulto do evento, até que R$ 30 milhões ficaram quase de graça. Não sei o porquê da execração pelos arautos da moral e da ética, os mesmos que torcem os narizes para os passeios do governador em jatinhos de parceiros da administração. Esses críticos são comadres que não têm o que fazer e passam o dia procurando pequenos e insignificantes detalhes, alvejando políticos de primeira linha cujo objeto maior e eterno é o cidadão. Não havia alternativa mais interessante para aplicar R$ 30 milhões, estejam certos os cariocas. Essa dinheirama, gasta com uma festa que nada tinha a ver com o Rio e deveria ter se realizado no auditório da FIFA em Zurique, prova a isenção dos nossos governantes.
Pois bem, o mundo viu os nossos músicos e craques da bola, os convidados e telespectadores se fascinaram com o sorriso e a simpatia dos apresentadores e com a parafernália tecnológica no palco. As autoridades presentes se deleitaram com momentos sublimes, um pequeno e modesto cartão de visitas dos rapapés que se realizarão por aqui até 2014. Em troca desses salamaleques foi necessário tão somente fechar o aeroporto Santos Dumont, estabelecer o caos no trânsito da Zona Sul do Rio de Janeiro e prejudicar a vida de alguns milhares de moradores da cidade. Claro e de menor importância, sem falar em torrarem R$ 30 milhões do nosso suado dinheirinho. Afinal, além do dinheiro não ser deles, para que perder tempo gastando essa pequena cifra com creches, escolas, hospitais, segurança e casas populares? O povo que se exploda, já dizia Justo Veríssimo, o hilário e fictício político personificado pelo Chico Anísio. Sorte nossa que políticos desse naipe no Brasil encontramos exclusivamente no humorismo.
Rapidamente caem no esquecimento os tempos da ribalta eleitoral, quando os candidatos procuram desempenhar com o máximo de seu talento teatral o papel de bons moços, prometendo mundos e fundos, assumindo compromissos sociais. É o momento do beijo nas crianças carentes e nas mulheres grávidas, do abraço nos idosos doentes, do aperto de mão em cada trabalhador que paga impostos e elege um sonho. Os interesses são maiores, os acordos foram feitos e a conta precisa ser paga. Ninguém se elege sem apoio de empreiteiros, empresários e tantas outras grandes personalidades, algumas até mundiais. Esse negócio de contribuinte e de eleitor sempre será apenas protocolar, servindo exclusivamente para legitimar o mandato. Assim que funciona.
Então, a grande badalação do último fim de semana aqui no Rio foi o show espetacular da FIFA custeado pelos impostos cariocas, uma vez que integralmente pago pela Prefeitura da Cidade e pelo Governo do Estado, não sei em que proporções. Ainda bem que o preço módico justificou o investimento. Pelo nível das atrações e pelo vulto do evento, até que R$ 30 milhões ficaram quase de graça. Não sei o porquê da execração pelos arautos da moral e da ética, os mesmos que torcem os narizes para os passeios do governador em jatinhos de parceiros da administração. Esses críticos são comadres que não têm o que fazer e passam o dia procurando pequenos e insignificantes detalhes, alvejando políticos de primeira linha cujo objeto maior e eterno é o cidadão. Não havia alternativa mais interessante para aplicar R$ 30 milhões, estejam certos os cariocas. Essa dinheirama, gasta com uma festa que nada tinha a ver com o Rio e deveria ter se realizado no auditório da FIFA em Zurique, prova a isenção dos nossos governantes.
Pois bem, o mundo viu os nossos músicos e craques da bola, os convidados e telespectadores se fascinaram com o sorriso e a simpatia dos apresentadores e com a parafernália tecnológica no palco. As autoridades presentes se deleitaram com momentos sublimes, um pequeno e modesto cartão de visitas dos rapapés que se realizarão por aqui até 2014. Em troca desses salamaleques foi necessário tão somente fechar o aeroporto Santos Dumont, estabelecer o caos no trânsito da Zona Sul do Rio de Janeiro e prejudicar a vida de alguns milhares de moradores da cidade. Claro e de menor importância, sem falar em torrarem R$ 30 milhões do nosso suado dinheirinho. Afinal, além do dinheiro não ser deles, para que perder tempo gastando essa pequena cifra com creches, escolas, hospitais, segurança e casas populares? O povo que se exploda, já dizia Justo Veríssimo, o hilário e fictício político personificado pelo Chico Anísio. Sorte nossa que políticos desse naipe no Brasil encontramos exclusivamente no humorismo.
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